Criação e valorização do canário Harzer Roller.

Compartilho um clássico artigo sobre nossos canários Harzers, publicado já há alguns anos, mas de grande importância.
Espero que gostem....
Por Siegfrid Willner.
Criação e valorização do canário Roller
PRINCÍPIOS BÁSICOS
E TEORIA DO CANTO
DA U.C.R.B. EM AGOSTO DE
1951
RESUMO HISTÓRICO
É
difícil achar outra espécie animal que se tenha aclimado em tão exígua região
como a das Ilhas Canárias. A preferência que o homem lhe dedica deve-se não só
à sua domesticidade, como também às suas qualidades de extraordinário cantor e
à sua facilidade para a emissão de outros sons.
A
criação dos canários começou há uns 450 anos. Em 1496 os espanhóis tomaram
posse das Ilhas Canárias, e lá encontraram uma variedade de pássaros, até então
desconhecida. A plumagem era, naquela época, de um matiz esverdeado. O tom da
voz era bastante alto e variado.
Os
primeiros ensaios de criação foram realizados por missionários espanhóis das
Canárias. Durante longo tempo, só os monges se dedicaram a essa tarefa. E,
desta forma, a criação e venda desses pássaros significou uma apreciável fonte
de renda para os conventos.
Antes
de chegarem os primeiros pássaros à Alemanha decorreram longos anos. Os
canários tiveram de superar etapas plenas de peripécias, algumas das quais
foram verdadeiras aventuras.
Em
meados do século XVI, um navio que trazia canários naufragou nas costas da
Itália. Assim, uma parte dos pássaros foi levada à ilha de Elba e encontraram
aí um clima excelente para suas condições de vida e se multiplicaram
rapidamente. No século XVII, alguns desses pássaros (em estado selvagem) foram
apanhados por italianos, levados ao Tirol e daí para Alemanha.
A
pedra fundamental do canto clássico que hoje conhecemos, foi uma pequena aldeia
do Harz: Andreasberg. Os primeiros que se dedicaram à criação de canários
foram, na sua maioria, mineiros e trabalhadores manuais. Empenharam-se com
grande entusiasmo na tarefa e foi assim que, no século XVII, surgiu a
denominação dos “Harzer Roller”, nome com que esses canários foram conhecidos
no mundo inteiro.
Mas
quantas dificuldades e desilusões tiveram de suportar até que o canto, um tanto
selvagem, se convertesse numa melodia agradável ao ouvido! Só um criador, que
tenha feito experimentos nesta especialidade, poderá avaliar tão penosa tarefa.
Dois
homens fizeram o ensino do canto clássico, uma especialidade: Wilhelm Trute e,
após a morte deste, Heinrich Seifert. Naqueles primeiros tempos, quando não se
conheciam as hoje comprovadas leis da hereditariedade, nem havia uma
classificação do canto por pontos, esses dois criadores trabalharam e
experimentaram, incansavelmente, confiados tão somente na sua experiência e no
seu ouvido, até que conseguiram criar a raça dos “hohlroller”.
Estudos
realizados na atualidade demonstram que os “hohlroller” surgiram de acordo com
as leis da hereditariedade. E acredita-se, portanto, que os canários selvagens
já tivessem predisposição para esse canto. Infelizmente, até hoje, não sabemos
se algum verdadeiro conhecedor do canto dos canários teve a oportunidade de
ouvir cantar um pássaro silvestre nas Ilhas Canárias. Houve criadores alemães
que mandaram trazer tais pássaros das Ilhas Canárias. Mas, embora os remetentes
afiançassem tratar-se de canários silvestres, os destinatários sofreram grande
desapontamento ao comprovarem que os canários eram amarelos ou amarelados.
Os
habitantes das Ilhas Canárias importam, atualmente, pássaros da Espanha e da
Holanda. E vendem –nos, com grandes lucros, Aos turistas, como se tratasse de
autênticos canários selvagens. Não se pode ter certeza de que um pássaro seja
um canário selvagem, a não ser que tenha sido apanhado, pelo próprio
interessado, no seu habitat. Entre os canários selvagens há, hoje, um certo
número de amarelados. E quem pode saber se os antepassados desses pássaros não
nasceram em Amsterdã ou em Hamburgo?
O
rápido incremento da criação de canários, em fins do século passado, promoveu a
formação de associações com o objetivo de desenvolverem e intercambiarem conhecimentos
na matéria. E como todos se achavam arduamente empenhados na tarefa de
aperfeiçoar os exemplares, começaram a realizar-se concursos a fim de serem
selecionados os melhores cantores.
O
fato mais importante, em prol dos concursos de canto, foram as conclusões da
grande conferência de Juízes, em 1922, na cidade alemã de Kassel. Lá foi
determinado o sistema de valorização para toda a Alemanha, sob o nome de
“Deutsche Einheitsskala 1922”. Esse sistema de contagem fez com que os
criadores, no que se refere à exatidão, extremassem a sua dedicação a fim de
poderem competir com êxito.
Tão
imperiosa era a necessidade de um sistema universal de classificação, que a
novidade imposta na Alemanha foi favoravelmente acolhida em todas as nações.
Assim, em 1924, o criador da Ëinheitsskala “foi convidado pelas associações da
Holanda, Bélgica e França. Os criadores da Inglaterra e dos Estados Unidos
também adotaram esse sistema. E para a distribuição de prêmios, trouxeram
juízes da Alemanha. Isto permitiu a realização de concursos internacionais”.
No
concurso de Ambères na Bélgica, em janeiro de 1950, ficou provado que não há
dificuldade alguma no trabalho conjunto de juízes de diferentes nacionalidades.
Lamentavelmente, os criadores alemães não tiveram ainda permissão para
concorrerem.
“HARZER ROLLER” e outras denominações
No
Harz é muito difícil, hoje em dia, ouvir cantar um bom pássaro da pequena aldeia
de Andreasberg, o berço dos nossos bons cantores. Essa aldeia é atualmente um
lugar de repouso e já quase ninguém se dedica, lá, à criação de canários.
Assim,
pois, a denominação de “Harzer Roller” não é exata em muitos casos e pode dar
lugar a confusões. Muitos criadores estrangeiros, que desejam um exemplar
“Harzer Roller”, pensam que um exemplar de Hamburgo ou de Munich tem o mesmo
valor. Por isso, em lugar de “Harzer Roller”, adota-se hoje na Alemanha, a
denominação de “Deutscher Edelroller”. Esta correção é perfeitamente justa,
como o tem demonstrado diversos concursos, em que foram premiados exemplares de
Minich, Hamburgo, Wiesbaden, Colônia e outras cidades. Isto Prova que a criação
de canários de melhor qualidade não depende de região alguma. Tudo se deve à
experiência e ao material de que possa dispor o criador.
EVOLUÇÃO DO CANTO
Alguns
criadores tinham percebido que os canários têm uma notável capacidade para
imitar outros pássaros. Esse fato foi utilizado da seguinte forma: puseram-se,
perante os filhotes de canários, rouxinóis. O rouxinol servia como
mestre-cantor. E, em pouco tempo, os canários imitavam o canto do rouxinol.
Todavia,
quando não tinham constantemente à sua disposição o rouxinol - como professor
de canto - os canários acabavam esquecendo a peculiar canção. Somente alguns
criadores, após longos anos de árduos esforços conseguiram obter uma raça de
canário, em que os filhotes já cantavam em forma não habitual, mesmo antes de
ouvirem o rouxinol.
Nesta
canção havia, certamente, algumas melodias muito bonitas, sobretudo as flautas
melancólicas (Pfeifen), Hohlklingeln soluçantes e Knorrem baixas. Mas existia
uma desvantagem na imitação do rouxinol. O rouxinol possui, também, algumas
melodias que, embora não pareçam estridentes ao ar livre, em plena natureza,
desagradam ao ouvido se o pássaro estiver num recinto fechado, como é,
normalmente, o quarto em que se criam os canários. Naturalmente, os canários
que, de longas gerações, vinham sendo treinados com o canto do rouxinol - trouxeram
também os tons menos agradáveis.
Mas
o obstáculo essencial, o qual impediu que vingasse essa linha de canto,
consistia na forma de cantar. O rouxinol pertence ao grupo de cantores na forma
de cantar. O rouxinol pertence ao grupo de cantores que não cantam sua canção
em forma continua, mas executam trechos soltos da canção, entremeados de
grandes intervalos. Por isso mesmo, o canário já se apresentava, perante os
demais cantores de plumagem, numa posição de absoluto relevo: porque canta suas
melodias numa escala inteira e numa forma conjunta. Isto é, o canário apresenta
sua canção como um artista.
Em
vista disso, os criadores alemães, sobretudo os famosos Seifert e Trute,
tentaram modificar esse fato, mediante árdua tarefa de longos anos. Excluíram
do canto do canário natural os trechos desagradáveis da canção e
aperfeiçoaram-no com peças musicais harmoniosas. Destes exemplares selecionados
desenvolveu-se o roller de pura raça que, hoje em dia, todo criador conhece.
A CANÇÃO DO CANÁRIO
Há
três diferentes grupos de ritmo. E é um princípio básico que tudo quanto possa
cantar um canário corresponde, fatalmente, a um desses três grupos.
No
primeiro grupo incluem-se todas as peças musicais de caráter contínuo. O
segundo grupo compreende as peças interrompidas por intervalos insignificantes.
Finalmente, no terceiro grupo encontram-se as peças da canção que são
interrompidas com exatidão, isto é, com intervalos bem perceptíveis.
Os
criadores alemães deram a denominação de “TOURS” às partes soltas da canção. Na
América do Sul usava-se, como tradução dessa palavra, o vocábulo “Variação”.
Mas o termo é incorreto nesta acepção e dá margem a freqüentes enganos. Vejamos
um exemplo. Um pássaro canta diferentes espécies de flautas ( Pfeifen ) . A
flauta é uma TOUR e é cantada em diversas variações. O mesmo poderá dizer-se
das demais TOURS. E, como cada TOUR pode ser cantada em diversas formas ou
modulações, fala-se das “variações” da correspondente TOUR.
A
palavra TOUR é também alheia ao alemão. Foi emprestada do francês, em virtude
da necessidade de uma denominação especial para as partes soltas da canção.
Hoje em dia, este galicismo impôs-se definitivamente como termo técnico nesta
matéria.
Os
três grandes grupos do canto denominam-se, respectivamente, “Tours contínuas”,
“Tours suavemente interrompidas” e “Tours interrompidas”. Eis um esquema que
indica as diferentes canções, agrupadas pelo fator ritmo:
Canção do Canário
Tours contínuas Tours suavemente interrompidas Tours interrompidas
Hohlrollen Hohlklingel Pfeifen
Knorrem Klingeln
Glucken
Wasserrollen
Schockeln
Klingelrollen Schnetter *
Schnatter
Aufzug *
Schwirren
*
Locken
Schnarren
* Falhas que marcam pontos contra
Para
reconhecer as diferentes TOURS, recorre-se ao alfabeto. Não é um modo perfeito
de definir a melodia, mas é a única possibilidade que temos para expressar a
canção do canário em linguagem humana.
Distinguimos,
antes de mais nada, vogais e consoantes. O primeiro grupo, “TOURS CONTÍNUAS”, é
fácil de reconhecer: a TOUR só pode apresentar-se em forma rolada. A TOUR
rolada exige sempre a consoante “R”. Mercê desta consoante surge o ritmo típico
das “TOURS CONTÍNUAS” não importando qual a vogal usada com o “R”. No momento
em que desaparece o “R” troca-se o ritmo e a TOUR deixa de ser continua.
No
segundo grupo, “TOURS SUAVEMENTE INTERROMPIDAS”, há pequenos intervalos
regulares dentro da TOUR cantada. O pássaro canta as vogais e as consoantes em
exceção do “R”.
O
terceiro grupo, “TOURS INTERROMPIDAS”, diferencia-se do segundo grupo pelas
suas pausas, também regulares, mas muito mais longas.
O
principiante, antes de tentar definir qualquer TOUR deve aprender a determinar,
com segurança absoluta, qual dos três grandes grupos corresponde uma
determinada TOUR.
O
CANTO DO CANÁRIO E SUA CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O SISTEMA ALEMÃO DE CONTAGEM DE
PONTOS
A
denominação HOHL não é apenas o nome de uma TOUR. Representa, também, um
panorama total do som, algo assim como a cor da melodia. O mais belo tom HOHL é
o produzido pela emissão das vogais “o” e “u”. Como os canários têm
predisposição natural para cantarem utilizando algumas vogais numa interessante
melodia, estabeleceu-se a denominação de Hohlroller para os canários cantores.
O canto dos pássaros está associado a diversas aptidões orgânicas, que são
indispensáveis e que, naturalmente, acham-se limitadas. Tais condições nada têm
a ver com a quantidade de partes do canto. Há pássaros que podem dar a seu
canto muitas TOURS. Deixando de lado o de menos valor, talvez muito falhas,
ainda ficam muitas TOURS que, na classificação, podem ser de importâncias.
Todo
criador deve compreender que um único pássaro se quisermos boas variações, não
pode, de modo algum cantar claramente em forma variada todas as TOURS.
Numa
comparação com a raça humana, poderíamos lembrar que um cantor não pode ser, ao
mesmo tempo, um grande tenor e um excelente baixo. O criador poderá obter melhor
tom no canto dos canários, se empenhar ao fundo na tarefa. As possibilidades,
porém, é mister recordá-lo, não são muitas.
Vejamos
agora o que deve e o que pode cantar um canário macho. Para isso devemos
subdividir os pássaros em dois grupos: a linha dos “Pássaros Hohl” (oca) e a
dos “Pássaros Água”.
Há
pássaros cujo canto tem, em todas as TOURS, sons de água. Isto é o resultado de
uma mistura entre dois grupos. O fato é desfavorável e ocasiona graves
prejuízos, quer nas TOURS, quer na impressão geral. Um cruzamento de variações
Hohl e Água, se o criador tiver sorte, poderá dar bons resultados, isto é, a
boa impressão de um som especial. Normalmente, porém, isso não ocorre. A
experiência dos criadores alemães, nestes últimos 50 anos, mostra que tal
cruzamento não traz benefício algum para a raça dos cantores. Se um criador
tiver um bom canário de raça, com uma boa Hohlrolle, com uma bela Knorre, um
límpido som de Hohlklingel e algumas Pfeifen baixas, e talvez, eventualmente,
uma klingel clara e uma Klingelrolle, cometeria um erro imperdoável se tentasse
melhorar esse canto mediante um cruzamento com pássaros da raça de Água.
A
experiência ensina que a base do canto geral é a Hohlrolle. Ela se constitui
com as vogais “o” e “u”, em combinação com a consoante “r”. Mas é preciso
evitar que o “r” se torne muito forte, a fim de não encobrir o som das vogais.
A Hohlrolle é especialmente valiosa quando o som sobe e desde. Nas raças Água a
consoante "r” é substituída pelas consoantes “b” e “l”. Quando, em vez das
vogais “o” e “u”, aparecem as vogais “a”, “e” no canto, a Hohlrolle perde seu
valor, ou desce à categoria de variação com falhas. Para estas TOURS, a
Einheitsskala põe à disposição dos juízes, de 1 a 9 pontos.
Outras
das “TOURS CONTÍNUAS’ é a KNORRE. Ela corresponde ao baixo, no canto dos
canários. A Knorre caracteriza-se por uma forte pronúncia do "r" em
seguimento à vogal "o". Ainda mais valiosa é a Knorre quando também
se pronuncia a consoante "k". Como nas demais TOURS , o mérito da
Knorre é tanto maior quanto mais claro se ouvi a vogal. Se o "o" não
é claro, ou se é substituído por um "a" ou por um "e", a
TOUR fica eliminada.
Nesta
TOUR, como na anterior, os juízes de concurso dispõem de 1 a 9 pontos.
Entre as
demais TOURS, predomina a HOHLKLINGEL, que vem tomando largo incremento nestes
últimos 20 anos. Muitos criadores vêm especializando-se nesta TOUR.
Na
hohlklingel a consoante que predomina é o "l". Seu melhor tom é o que
combina o "l" com as vogais "o" e "u". Como em
outros casos, os criadores que quiserem superar a hohlklingel verificaram que
diversas outras TOURS perdiam valor. Até agora, a valorização da Hohlklingel
vai de 1 a 6 pontos. A Associação dos Criadores Alemães está empenhada,
atualmente, em aumentar a valorização para 9 pontos.
A KLINGEL
é um TOUR fácil de reconhecer. Compõe-se da combinação da consoante
"l" com a vogal "i". O tom da Klingel é tanto mais bonito,
quanto mais suave e delicado se apresentar. Quando sobressai o "l" a
Klingel se afina. Quando o "i" toma a direção, o pássaro, freqüentemente,
abre o bico e a Klingel se torna forte. Os pássaros que têm disposição para a
Knorre, facilmente descambam para a Klingel. Para esta TOUR há disponíveis de 1
a 3 pontos.
TOUR
muito disputada é a SCHOCKEL. A estrutura da Schockel é muito simples. Pode se
comparada com o riso humano, sendo que o ritmo dela não tem maior importância.
A Schockel pode ser obtida com todas as vogais. Mas só as vogais "o"
e "u" é que têm valor. Muito amiúde a Schockel se introduz,
sorrateiramente, no canto do canário e, de tempos a tempos, desaparece. Nos
filhotes, freqüentemente, a Schockel sucede a Hohlkling e, pouco a pouco, vai
desaparecendo. Mas quando, durante a aprendizagem de um filhote, a Schockel
aparece depois da Pfeifen, pode-se ter a certeza de que essa TOUR ficará
permanentemente. A schockel dispõe, na classificação, de 1 a 9 pontos.
Qualquer
principiante distingue com facilidade as PFEIFEN . Elas se caracterizam pelos
seus tons em "di", "do" e "du". Infelizmente, é
nas Pfeifen que sobrevêm as maiores degenerações, porque são utilizados,
amiúde, 3 ou 4 tons diferentes. Assim, por exemplo, é freqüente dar-se 4 pontos
para as melhores Pfeifen, enquanto de descontam 1 ou 2 pontos, multa, pelas
Pfeifen ruins.
Dispõe-se,
para as Pfeifen, de 1 a 6 pontos.
A GLUCKE
representa, no canto do canário, um capítulo à parte. Ela pode ter muitas
TOURS. A de maior valor é a Glucke com vogais "o" e "u".
A
denominação GLUCK-ROLLE corresponde a uma TOUR composta. Segundo a firmeza do
tom, contínuo ou não, esta Tour será classificada como Glucke ou como
Hohlrolle.
O número
de pontos disponível para a Glucke vai de 1 a 9 pontos.
Momento
importante na valorização do canto dos canários é o da impressão. O juiz tem à
sua disposição de 1 a 3 pontos, mediante os quais ele classificará o pássaro
como: "Suficiente", "Bom" ou "Muito Bom". Nesta
valorização é preciso considerar muitos fatores. Tem-se muito em conta a
sucessão em que são cantadas as TOURS e de que forma o canário passa de uma
TOUR a outra. Considerar-se-á, ainda, a claridade, o tom completo e os baixos.
Assim, por exemplo, pode acontecer que um pássaro, embora faça 80 pontos, não
mereça 3 pontos de impressão, por ter sido descontado em vários pontos pelas
suas falhas.
Pode
dizer-se que, em geral, as TOURS cantadas com o bico aberto não soam muito
agradavelmente e são classificadas como "falhas".
A idéia
fundamental do sistema de classificação reside numa divisão em três categorias.
Para as TOURS de boa qualidade: "Suficiente", "Bom" e
"Muito Bom". Paras as TOURS com falhas: "Regular",
"Mau" e "Muito Mau".
OBJETIVOS DA CRIAÇÃO DE CANÁRIOS.
FINALIDADES DOS CONCUROS DE CANTO
Que fim perseguem os criadores alemães de
canários? Qual o objetivo dos concursos de canto? A resposta é simples: quer-se
atingir uma superação, cada vez maior, do canto.
Tudo o
que na Alemanha se faz, na criação dos canários, tem um único fim: aperfeiçoar
o canto.
A
experiência de muitas décadas tem indicado quais são as TOURS constantemente
hereditárias, e quais as que só em parte se transmitem.
Assim, por
exemplo, vários criadores tentaram obter uma raça de Shcockel. Os pais dessa
raça eram pássaros excelentes com 7 pontos de Hohlrolle, 6 pontos de Knorre, 4
pontos de Pfeife, 4 pontos de Hohlklingel e 4 pontos de Schockel. No primeiro
ano 10% dos filhotes tinham Schockel; no segundo ano nenhum pássaro trouxe
Skchockel; no terceiro ano obteve-se o surpreendente resultado de 60% de
filhotes com Schockel; no quarto ano esta percentagem caiu a 25%. Entre os
pássaros desta última geração houve dois machos que obtiveram 6 pontos pela
Schockel que cantavam. O criador pode, pois, ao terminar seu planoquadrienal,
apontar um melhoramento da Schockel, de 4 para 6 pontos. Mas, que resultados
darão estas experiências em outras TOURS?
Tais
pontos têm causado grandes desilusões, pois a Knorre, no decurso desses 4 anos,
diminui cada vez mais. E os melhores pássaros obtiveram para a Knorre somente 5
pontos; enquanto na Hohlrolle abaixaram até 4 pontos.
Análogos
resultados deram tais experiências na Glucke.
Mas na
Hohlklingel, Knorre, Hohlrolle e Wasserolle os resultados dessa experiência
foram inteiramente diferentes. Essas TOURS transmitem-se, por herança, quase
infalivelmente. E o que é essencial, as demais TOURS raras vezes diminuem de
valor.
Estas
observações são realizadas sempre com uma raça única. E devem começar, pelo
menos, com 4 fêmeas. Um único pássaro, com dons extraordinários para o canto,
será sempre produto da casualidade quanto seus méritos diferirem muito da média
geral.
Assim,
pois, não interessa apenas obter o primeiro prêmio num concurso, a fim de
ostentá-lo com orgulho. O valor essencial dos concursos está em que eles
indicam quem possui o melhor material para criação.
Na
prática, as coisas decorrem do seguinte modo: Suponhamos que um criador em, por
exemplo, pássaros que cantam muito boas TOURS, mas cuja Knorre é fraca. Ele só
precisa averiguar qual dos criadores obteve maior contagem em Knorre e
adquirir, então, desse criador, um exemplar macho para fazer o cruzamento com a
raça de sua especialidade.
Para
tanto, não é preciso um pássaro que tenha tirado o primeiro prêmio. Bastará um
canário que tenha conseguido passar com êxito no exame preliminar, ou seja,
pertencente a um conjunto de 4 pássaros que tenham reunido 320 pontos (mínimo
necessário para poder competir ao concurso).
Assim,
pois, para melhorar sua especialidade, ou para começar uma criação, o criador não
precisa comprar um pássaro premiado. É suficiente adquirir um irmão ou parente
próximo do canário premiado.
Após
longas experiências, e depois de muitos fracassos, chegou-se à conclusão de que
não é possível criar uma raça de canários que cantem diversas TOURS, com a
mesma perfeição. Por isso, a maioria dos criadores alemães dedica-se a cultivar
uma única TOUR, aperfeiçoando-a ao máximo. Neste sentido, tais esforços vêm
sendo coroados de êxito, na maioria dos casos.
NORMAS PARA USO DO SISTEMA ALEMÃO
DE CLASSIFICAÇÃO GERAL 1922-1937
1) O
sistema de classificação adota três graus. Para os de boa qualidade:
"Suficiente", "Bom" e "Muito Bom". Para os de má
qualidade: "Insuficiente", "Mau" e "Muito Mau".
2) A
classificação máxima é de 90 pontos. Não são reconhecidas classificações acima
de 90 pontos.
3) A
contagem máxima só é concedida em casos extraordinários. A valorização
excessiva é prejudicial.
4) As
TOURS que não chamam a atenção, por não serem suficientemente agradáveis ao
ouvido, não são tidas em conta. Classificar-se-ão com ZERO. Da mesma forma, as
falhas perdoáveis serão assinaladas, na rubrica de falhas, com a nota ZERO.
5) Os
pontos de valorização não têm relação alguma com os pontos de desvalorização.
6) Os
pontos referentes à impressão serão dados após o exame dos canários que cantam
TOURS harmônicas em todo o sentido.
7) Pássaros
que cantam Zitt, Schnatter e Schapp, são eliminados.
8) O
juiz não dever ouvir mais de 20 conjuntos por dia, pois o exame de cada
conjunto dura meia hora. Em geral, o juiz não ouve mais do que 16 conjuntos por
dia.
9) Os
juizes devem chegar a um prévio acordo sobre a concessão dos 1o, 2o
e 3o prêmios. Depois disso, cada ponto deverá ser examinado
separadamente, de modo que os juízes fiquem de acordo e outorguem sempre o
mesmo número de pontos.
As normas
anteriores constituem a clave do sistema de classificação. E são definitivas,
absolutas, sobretudo para os juízes.
Há, além
dessas normas, diversos regulamentos que não constam na folha do concurso.
Explica-se: os cursos para juízes de canto são tão aprofundados que não é
possível imprimir todos os regulamentos numa simples folha de concurso. Na
Alemanha, porém, não há maiores dificuldades, pois que, para ser juiz, é
preciso ter sido aprovado nos dois exames finais: um oral e um escrito.
Comentemos
alguns pontos destas normas.
1)
As classificações , e não se
usam quase nunca. É pouco provável que um criador apresente um pássaro nessas
condições.
A indicação dos
diferentes graus na qualidade de um canto - , e
- exigem, por parte do examinador, bom ouvido e boa memória.
Para precisar o grau de uma determinada “Tour”, bastará fazer uma comparação
com os pássaros ouvidos anteriormente. O ouvido age, automaticamente, em
conjunto com o cérebro. Se o juiz ouve, por exemplo, uma Hohlklingel, ele a
compara, mentalmente, com todas as Hohlklingel que ouviu até então. Ele lembra
as Hohlklingel de 2, 3 e mais pontos. E pode dizer, com facilidade, quantos
pontos merece a Hohlklingel que acaba de ouvir. Quanto maior o número de
pássaros ouvidos, tanto maior a certeza e segurança com que dará a nota. E
tanto maior, portanto, a exatidão da contagem e da outorga de prêmios.
2)
A contagem máxima é de 90 pontos, mesmo para o 1o prêmio. Contagens
maiores não são permitidas, nem reconhecidas. Ainda assim, há na Alemanha
criadores que desejam permissão para contagens maiores. Todavia, após longas
deliberações, a Associação Alemã de Criadores de Canários concluiu que, em
defesa de seus próprios interesses fosse mantida a contagem máxima de 90
pontos.
3)
Há nesta norma, questões interessantes para os criadores.
Imagine-se,
por exemplo, que um criador exponha um pássaro que, entre outras variações,
também cante a Gucke. E que, finalizado o concurso, não conste classificação
alguma no respectivo certificado, na rubrica de Glucke. Será evidente, então,
que o juiz nada entende em matéria de canto.
O juiz
ouviu a Glucke, mas não lhe pareceu suficiente, nem para uma contagem a favor,
nem para uma contagem contra. Neste caso deveria ter classificado essa variação
com ZERO. O criador saberia, então, que o pássaro cantou Glucke, durante o
exame, sem ser aprovada, porém, pelo juiz.
Fato
idêntico pode ocorrer em qualquer variação; a maioria das vezes na Klingelrolle
e na Flauta. É freqüente verificar que um pássaro canta 3 ou 4 pontos em
Flautas, das quais uma é um pouco aguda e alta, mas sem afetar muito o canto em
geral. Nesse caso, a melhor Flauta é classificada com 4 pontos e, na rubrica de
< pontos em contra >, anotas-se a pior Flauta com ZERO.
Criadores
principiantes costumam duvidar da lógica e da justiça desta última norma.
Contudo, ela é perfeitamente correta. Suponhamos, por exemplo, que um pássaro
cante 76 pontos, mas seja apenas < Suficiente> em quase todas as “Tours”.
Será justo, então, que seja descontado nas “Tours” secundárias, a fim de que,
na classificação geral, fique entre 60 e 75 pontos.
As
conclusões a que tem chegado os juízes de concurso baseiam-se em dois pontos
essenciais:
1o)
Um pássaro que canta diversas “Tours”, mas não se destaca em nenhuma, não está
apto a melhorar sua raça. As experiências realizadas provam que uma “Tour” só
pode ser considerada transmitida na linha de sangue, isto é, hereditária,
quando ela supera o termo médio. A Hohlrolle, a Knorre e a Wasserrole devem
obter mais de 6 pontos. A Schockel, a Glucke, a Hohlklingel e a Flauta, mais de
4 pontos.
2o)
Todo criador entendido na matéria dará mais atenção a um canário que canta
menos “Tours”, mas que supera o termo médio, do que a que canta mais “Tours”,
porém de qualidade inferior.
Durante
uma conferência na Associação Argentina, foi vivamente discutido o seguinte
tema, de grande interesse para os criadores:
Evidentemente,
toda crítica é útil, quando feita com honestidade e com espírito construtivo.
Doutra parte, em toda competição, um regulamento é indispensável. Tal
regulamento deve ser sobremodo minucioso quando os graus de qualidade se
expressam em pontos, como acontece com a valorização do canto dos canários.
Considere-se,
em primeiro lugar, que as Associações Latino-Americanas premiam os canários de
acordo com o sistema alemão. Os juízes alemães, por sua vez, para estabelecerem
o Sistema de Contagem, levaram em conta todas as experiências da criação de
canários, realizadas mais de 100 anos. Ainda assim, é preciso fazer pequenas
modificações de quando em vez. Os princípios básicos, porém, não mudarão muito,
pois há quase 30 anos que este sistema vem sendo adotado com plena e geral
aprovação.
Os
criadores que acharem necessário modificar o sistema de valorização devem
apresentar as suas sugestões ou proposta à respectiva Associação de classe.
Na
Alemanha, quando um criador faz uma proposta nesse sentido, ela é examinada, em
primeiro lugar, pela Associação local. Sendo aprovada, a proposta é enviada à
União dos Juízes de Canto. Quando esta última instância aprova a referida
proposta, considerando-a autorizada e progressista, as normas para os concursos
são alteradas. E o novo regulamento é comunicado a todas as demais Associações.
É
necessária uma rigorosa disciplina na aplicação do regulamento.
Voltando
ao tema discutido na Associação Argentina, é fácil demonstrar que o método
sugerido, tirar a média dos diferentes graus de uma “Tour”, daria resultados
cada vez piores.
Se
anotasse o termo médio dos graus de cada “Tour”, o canário que cantasse a sua
“Tour” num único tom levaria vantagem sobre os demais. Todas as passagens de
uma “Tour” à outra seriam desvantagens para um pássaro: diminuiria o total de
pontos.
Se fosse
usado tal sistema, as contagens maiores seriam obtidas pelos pássaros que
cantam ca “Tour” num único tom, e sem passagens entre as diversas “Tours”.
Desta forma, o canto haveria de tornar-se, automaticamente, cada vez mais
monótono.
PREPARO DOS FILHOTES PARA O CANTO
Num
concurso o êxito depende muito do conhecimento do canto por parte do criador,
da sua capacidade em avaliar os defeitos e qualidades do canto. Com pássaros
que tenham sido reconhecidos como bons cantores, o criador haverá de obter,
certamente bons resultados. E poderá criar, assim, uma raça que apresente
notáveis exemplares.
Os
pássaros, depois de 28 a 30 dias, tornam-se independentes. Devem, então, ser
separados, se possível, segundo o sexo. As gaiolas pequenas são prejudiciais
para os filhotes, pois não lhe permitem liberdade de movimentos para
fortalecerem as asinhas. É errado deixar sozinho os filhotes nas grandes
gaiolas mesmo que eles não cantem ainda.
Os pássaros
mais jovens não se tornam independentes muito depressa. Nos comedouros não se
orientam no sentido mais conveniente para um melhor desenvolvimento. Por isso,
é aconselhável observar os filhotes em gaiolas pequenas, verificar se já são
capazes de alimentar-se sozinhos, antes de serem transportados para as gaiolas
grandes.
Pássaro
reconhecido como , no círculo dos maiores, é bicado por estes.
Os demais pássaros arrancam as penas do filhote e deixam-no num estado
lastimável, com o corpo cheio de feridas e sangrando. Isto não só prejudica o
desenvolvimento do filhote, como o põe, até, em perigo de vida. Por isso é
preferível prevenir, em tempo, tão amargas conseqüências.
Com seis
semanas de idade os filhotes começam a cantar. Os primeiros tons, naturalmente,
não se distinguem pela sua clareza. Podem ser comparados ao balbuciar das
crianças.
Não se
reconhece, de forma especial, nenhum dos tons. Mas o bom observador pode logo
verificar se o pássaro tem aptidões para aprender. Os filhotes que, durante o
período de estudo, permanecerem num único tom (mesmo que seja por pouco tempo),
mantendo o bico fechado e deixando perceber as vibrações no pescoço, esses têm
probabilidades de êxito.
Após
algumas semanas de estudo começa a notar-se alguns progressos, mas ainda não se
podem apontar as “Tours” reconhecíveis. Depois de um período de estudo de, mais
ou menos, 4 semanas, isto é, com a idade de 8 semanas, já se pode Ter uma idéia
da capacidade dos filhotes: eles já começam a cantar pequenos e agradáveis
trechos de “Tours” que, quase sempre, acham-se ligados à vogal , em
tons bastante altos. Também emitem, de vez em quando, a vogal .
Às vezes,
ao interromperem repentinamente o estudo para irem brincar com os companheiros,
os filhotes costumam emitir um assobio ou um grito. Isto, porém, não tem
caráter permanente.
Os
filhotes nascidos em setembro, quando atingem três meses de idade, começam a
tornar-se interessantes. Principiam a fazer-se notar as “Tours” continuas; e o
mesmo acontece com as Hohlklingel e as Klingel. Apesar disso, ainda não é
possível ter uma visão geral de cada pássaro. E, por outra parte, os pássaros
da primeira criação demoram mais para cantar tons claros. As Knorrem, porém,
não são difíceis de reconhecer nesta fase da vida do filhote; mas, em geral,
elas são achadas mais tarde nos filhotes que cantam BAIXOS. Também começam a
notar-se as “Tours” de água. E, ainda, as Glucken e Schockeln, cujo caráter
semelhante torna-as facilmente confundíveis.
Não se
devem fazer muitas ilusões com respeito a estas duas últimas “tours”, pois o
canto deve ser aperfeiçoado a pouco e pouco. Quando alguns tons nos derem a
miragem de um Schockeln ou de uma Glucken, deveremos acompanhar-lhes o curso
durante o estudo; esperar os resultados. As Flautas, que tanta importância tem
no canto do canário, só serão obtidas no fim dos estudos. Naturalmente, os
filhotes podem cantar um que outra Flauta, nos primeiros tempos, Flauta essa
que perdem no decorrer do estudo. As Flautas boas e baixas só serão obtidas,
quase sempre, quando cada filhote estiver isolado na sua gaiolinha.
Os
filhotes da Segunda e da terceira criação levam o mesmo tempo que os da
primeira para desenvolverem suas aptidões para o canto. Os filhotes precisam
meio ano para aprenderem um canto completo. Alguns requerem mais tempo, até 10
meses, a fim de demonstrarem toda a sua capacidade.
Tema
muito discutido é o que se refere ao pássaro mestre. Este pássaro tem muita
importância no ensino dos filhotes. Mas ninguém deve iludir-se: canto de um bom
pássaro mestre não pode ser transmitido, sem mais nem menos, a qualquer
filhote. Se os pássaros, pela sua linhagem, tem tendência para a mediocridade,
o canto desse
não terá influência alguma. Por isso, diz-se
freqüentemente que o pai é o melhor mestre. Isto é, se o pai canta sem falha a
alguma. Machos que tenham uma pequena falha no canto, uma Flauta muito aguda,
por exemplo; ou uma Klingel muito alta, não servem como mestres. Embora tenham
muito valor para criação. Os filhotes têm um grande poder de imitação,
sobretudo com respeito às falhas. Por isso, se o criador não possuir um bom
mestre cantar, sem falhas, será preferível que deixe sozinho os filhotes para
que aprendam por si mesmos.
No que
toca à escolha o mestre cantar, não é preciso que este cante uma longa série de
“Tours”. Bastará com que cante boas Hohlrollen e Pfeifen. Os filhotes aprendem
sozinhos as demais variações, de acordo com as sua aptidões naturais.
Não
convirá escolher um pássaro que cante mal as Glucken e Schockeln; a imitação
dessas “Tours” prejudicará em muito o bom que os filhotes possam ter aprendido.
Enquanto
os filhotes permanecem na gaiola grande é preciso vigiar o curso do estudo e
fazer com que este prossiga normalmente. Assim, devem ser afastados os pássaros
que tenham defeitos notáveis. Mas poderão ser deixados os machos que se ocupam
tão só com “Tours” fáceis. Com o decorrer do tempo o canário começa a
apresentar mais firmeza de melhores tons em seu canto.
Quanto à
época em que devem ser separados os filhotes, há divergência de opiniões.
Alguns preferem isolar os filhotes o antes possível. Os machos que evidenciarem
precisar de mais tempo para atingir o grau máximo de perfeição, devem ser
deixados na gaiola grande, o maior tempo possível. O conhecimento do momento
preciso da separação requer muita experiência e uma especial sagacidade. Quanto
mais tempo ficarem os pássaros na gaiola grande, tanto mais fortificarão os
músculos e os órgãos internos. Filhotes que com a idade de 4 meses não cantam
boas “Tours”, isto é, que parecem ter esquecido as vogais e
, não poderão ir além de uma discreta mediocridade. Não serão mais dos
pássaros regulares.
Tais
pássaros devem ser separados em tempo a fim de poder fazê-los estudar o máximo
possível. Os machos que augurarem bons resultados não devem ser separados antes
dos 5 meses de idade. Na gaiola grande dispensam-se, ao pássaro, menores
cuidados, do que na gaiola individual. Os filhotes que demonstraram especiais
aptidões para o canto na gaiola grande, não demoram a reiniciar seus estudos,
depois de transportados para as respectivas gaiolinhas. Para que os filhotes
não sintam muita falta do canto dos companheiros de raça, eles são colocados
numa prateleira sem parede divisória alguma. A divisão só será colocada quando
o criador estiver certo de que os filhotes cantam sem maiores inconvenientes.
Por
enquanto não deve ser eliminada a luz. Isto só será feito depois de uma semana.
Evitar-se-á, então, que a visão livre dificulte o ensino ministrado pelo
criador. Se possível, os quartos serão deixados na escuridão. É aconselhável,
ainda, usarem-se cortinas verdes, deixando, porém que uma luz amortecida cheque
até os pássaros. Para acalmar o temperamento agressivo de alguns dos canários,
será suficiente colocar um pedaço de papelão em cima da gaiola. Nestes casos,
também, deverá verificar-se se não é necessário trocar a alimentação.
Os
filhotes isolados dão muito trabalho ao criador. Para começar, ele deve
ouvi-los diariamente. Esta medida é de rigor.
Se os
filhotes forem separados, por exemplo, em meados de abril, não deve haver
preocupações com respeito a junho, época das primeiras exposições, pois os
filhotes ainda não estarão em condições de serem expostos.
O criador
deverá ocupar-se diariamente com os canários. As gaiolinhas devem ser tiradas
todos os dias, se possível várias vezes por dia. Isto permite o exame acurado
das qualidades de cada pássaro. E, o que é muito importante, os pássaros
começam a reconhecer a luz como fator indispensável.
Pode
começar-se, então, a classificar os pássaros que tem mais ou menos o mesmo
canto. Talvez possam ser apresentados ao juiz, nessa mesma ordem.
Os machos
acostumam-se ao lugar em que se acham instalados. E é preciso Ter muito cuidado
na escolha do pássaro de cabeceira. Um macho que sempre tenha visto alguém a
seu lado estranhará muito se quiserem colocá-lo na cabeceira. Começará a pular
de um lado para outro, muito intranqüilo. Isso poderá causar transtornos no
canto, se esta troca de colocação for realizada pouco antes da exposição.
Ao ouvir
o canto dos filhotes, o criador não deverá preocupar-se com evitar-lhes todo e
qualquer incômodo. Ao contrário, deverá Ter à mão papel e lápis, a fim de
anotar suas observações. Os pássaros, deste modo, irão se acostumando à visão
da folha de julgamento do concurso.
O acesso
ao lugar onde estiverem as gaiolinhas deverá ser permitido às pessoas da
família, crianças inclusive.
Toda perturbação
deverá ser apresentada gradativamente. Vê-se, pois, que a palavra adestramento
não é uma expressão sem sentido.
Dois a
três minutos depois de terem sido levados à luz, é preciso que os pássaros
cantem em coro. Os machos que fracassarem devem ser recolocados, sem maiores
contemplações, na prateleira. Pássaros muito amalucados devem aprender a
conhecer a diferença entre a escuridão e a luz, mediante uma forte escuridão.
Esta prática evitará muitos desapontamentos perante os juízes.
Como os
concursos são realizados, geralmente, à luz artificial, os machos devem ser
acostumados a essa luz, mesmo durante o dia. Toda falta cometida durante o
adestramento, pode vir a ser de fatais conseqüências na hora do concurso.
A ALIMENTAÇÃO DO CANÁRIO DE CANTO
O êxito
na criação de canários de canto depende, em grande parte, do sistema de
alimentação. Todavia, é impossível traçar um esquema que abranja todos os
casos.
Os
filhotes que acabam de ser separados dos pais, acham-se acostumados à comida
que lhes foi proporcionada durante a criação. Por isso nos primeiros dias da
separação, a alimentação deverá ser a mesma de antes.
Para
melhor observar os filhotes, é aconselhável transportá-los a uma gaiolinha.
Deverão ser tratados, então, com especial atenção.
O melhor
dos alimentos, para o canário, é a semente do nabo. Todavia, a fim de variar a
comida, dão-se, também, outras sementes.
Nos primeiros tempos, os filhotes não podem
bicar com facilidade os duros grãos de nabo. Convém, pois, amolecer os grãos
com um pouco de água. Desta forma, não só amolece a casca, como, também, o grão
adquire um gosto adocicado, o que aumenta o apetite do pássaro.
Os filhotes
precisam de uma alimentação adicional. Esta alimentação consiste em ovos, tal
que se lhes dava no ninho. Como os filhotes já não são alimentados pela mãe que
lhes levava a comida no bico e, como o ovo é difícil de digerir, convém
misturá-lo com pequenas quantidades do alimento quotidiano. Acrescentando
bolachas, a mistura torna-se mais seca. Mas é aconselhável juntar cenoura
ralada.
Naturalmente,
é preciso fornecer doses razoáveis desta mistura. Ela poderia tornar-se ácida,
sobretudo nos dias quentes. E isso dificultaria a digestão dos canários.
A cenoura
torna mais suave o canto dos canários. E a plumagem adquire tons mais escuros (o
que pode ser notado, mais facilmente, em pássaros de plumagem clara). É
aconselhável, por isso, que a adição suplementar de cenoura ralada comece já no
ninho.
Eis
algumas considerações sobre determinados alimentos do canário:
ALPISTE-
É bom para a digestão. Mas, pelo seu conteúdo de hidratos de carbono, aumenta o
do canário. Isto se nota, especialmente, no tempo da
criação. Além disso, a voz torna-se áspera e a vogal não soa com clareza nas
diversas TOURS.
CÂNHAMO-
Pela sua consistência oleosa é um estimulante do temperamento. Além disso, voz
torna-se límpida. Mas um pássaro não deve receber mais de 10 grãozinhos, por
dia, dessa semente, pois ela contém uma substância narcótica. É recomendável
amassar um pouco o cânhamo antes de servi-lo. Deve dar, tão somente, a ração
diária, porque estas sementes, pelo seu conteúdo de óleo, ficam logo rançosas e
produzem sérios transtornos na digestão.
COLZA E
NABO- Contem todos os elementos indispensáveis à nutrição. O valor essencial
destes dois alimentos reside no efeito calmante que exerce sobre o temperamento
dos pássaros. O alto conteúdo de óleo estas sementes é benéfico para a pureza
da voz. Há pássaros que rejeitam a colza e o nabo; isto se deve,
exclusivamente, a qualidade do alimento fornecido. O conteúdo dos grãos deve
ser de um bonito matiz amarelo. Ao esmagá-los, devem deixar uma mancha oleosa.
Se o grão esmagado se apresentar seco, e facilmente quebradiço, não deverá ser
usado na alimentação. O sabor deverá ser semelhante ao da noz, e não amargo ou
rançoso. Quanto mais tempo forem guardadas as sementes, tanto mais dura se
tornará a casca. Isto pode ser remediado, acrescentando-se às sementes, antes
de servi-las, uma gota de óleo de nabo. A casca ficará mais mole e poderá ser
bicada com maior facilidade. O valor nutritivo da colza é igual ao do nabo. O
canário prefere o nabo pelo seu sabor adocicado.
NIGER-
Não contem especiais propriedades nutritivas. Os canários, porém, gostam desta
semente pelo seu sabor adocicada. Ela estimula o canto, mas deve ser dada em
pequenas quantidades.
PAPOULA E
AVEIA- Devem ser usadas somente como remédios, quando os pássaros sofrem diarréia.
ALFACE-
As folhas de alface são boas para a digestão e são aceitas com gosto pelos
canários. Só se deve dar um pedacinho, uma ou duas vezes por semana. Observe-se
que as folhas não devem ser lavadas: a terra ou a areia que está aderida a elas
faz bem aos canários.
PEDACINHOS
DE MAÇÃ- São comidos com prazer e podem ser dados duas ou três vezes por
semana. Ao comerem maçãs, os machos adquirem vontade para o canto.
CENOURA-
Dar-se-á, ralada e misturada com ovo duro. A refeição de cenoura compor-se-á de
três partes iguais de ovo picado, (tipo de bolacha,
muito leve e fofa, fabricada em Buenos Aires) e cenoura ralada.
OVOS- Na
mistura já mencionada, o ovo exerce benéfica influência. Dá, ao pássaro, força
e temperamento.
COMPOSIÇÃO, EM PERCENTAGE (PESO) DAS PRINCIPAIS SEMENTES
Albu Hidratos Gordura Fibra Cinza
mina de carbono
Nabo e
Colza....... 19 21 42 5 5
Alpiste................. 11
61 1 6 7
Cânhamo............. 18
21 32 16 5
Papoula............... 19
18 41 6 7
Linhaça............... 20
20 37 7 3
Aveia.................. 10
58 5 11 3
Trigo.................. 13
66 2 3
2
Painço................ 9 74 4 1 6